QUEM SOU EU?

 Trindade Goiás

15/10/2012 

16:38


Como podemos cobrar dos filhos, dos amigos, dos familiares da sociedade,sociedade, atitudes em relação ao que não demonstramos na ação.     Por este motivo ao me defrontar em













Como podemos cobrar dos filhos, dos amigos, dos familiares da sociedade,sociedade, atitudes em relação ao que não demonstramos na ação?


Por este motivo ao me defrontar em presença a mim mesma refletida no espelho, olho e não me vejo. O reflexo que me fitava através do espelho não era o meu. Iludo-me achando que aceito ser uma fraude. 

No decorrer dos dias tentei unir as duas pessoas pelas quais vivo, fora e dentro de quem aprendi a me aperfeiçoar na arte de representar.

Vivo mudando este meu diverso e sucessivo alguém que me tornei.

Olho e não consigo me identificar com nenhuma dessas imagens, pois foram criadas para não deixar transparecer quem sou na realidade.

É pena! Mais sinto que vou continuar a deturpar [abortar] a minha vida ainda por algum tempo. Continuarei dizendo, fazendo e dando duplo

sentido às coisas e causas.

Continuarei a viver duas vidas paralelas e nenhuma das duas serei eu mesma. 

Uma delas foi criada para representar, pois não há espetáculo sem espectadores. A outra para ser a sofredora, sofrendo em silêncio dramas reais e imaginários. Hora era triste, hora muito alegre.

E não entendia que estava ficando cada dia mais doente, deprimido. E com essa ação errônea com minha personalidade, perdi o amor-próprio.

Não estava conseguindo me amar e nem tão pouco aceitar ser amada.


Agora não sei como fazer para reverter e renascer para a vida. O que todos veem, sente é o que quero deixar ser visto e sentido. Na verdade, o espetáculo dura por ter plateia. Quando estou só, as máscaras cai e volto a estar vazia. Sendo inúteis todos esses efeitos.

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Estou caminhando através de um labirinto em seus pavilhões com imensos espelhos um dentro do outro, tão complicado que até hoje não encontrei em todos estes reflexos quem sou eu.

Não encontrei a porta por onde entrei, e se encontrar não tenho a chave.

Confusa procuro em cada espelho deste pavilhão, o que não seja o reflexo e sim o eu verdadeiro. Às vezes sinto uma opressão, algo semelhante ao efeito de quatro paredes dos cárceres. Sinto encarcerada com minhas opiniões , presa dentro da consciência, e acabei implodindo. Levantei vagarosamente tijolo por tijolo a muralha do silencio de meu cárcere.


Ainda não é tarde. Temos curra!

Estou ciente que ao vincular palavras que não eram ditas com o coração, infiltrou qualidades a que por medo as conquistei e não as queria.

Teve hora em que, quase acreditei ser esta pessoa, pela qual representava, vazia por dentro.


Consinto prestar atenção na ausência de fé em minhas conquistas individuais. Pois tenho ciência de ser uma fraude, que sou toda feita de mentiras.

Que saudade daquela doce ilusão onde trazia o coração nos olhos e um lindo sorriso nos lábios…


De repente... Num ROMPANTE...

Comecei a chorar olhando-me daquele jeito, dentro daquele labirinto de pavilhões com espelhos, subitamente a tristeza se tornou mais profunda. Se fosse forte para lutar, para saltar as muralhas do cárcere, mas, teria  medo.


Sinto alguns pensamentos boçais vindo à tona. Domina às vezes em mim um forte desejo de destruir o cárcere onde me fiz prisioneira, mas paraliso qualquer ação nesse sentido, ficando inerte. Apavoro-me por ter me acostumado a ser assim, uma fraude.

Realmente abortei-me e egoisticamente achei que foi o meio fácil de se livrar de um sentimento que constitui um peso indesejável, não planejado, vindo numa ocasião inoportuna.


Confesso!!!

Está ausente o amor até mesmo por mim em minhas ações praticadas.


Paro um pouco de escrever e penso em tudo que não disse. Começo a tentar agrupar as ideias de maneira a expressar o que sinto. É pena que ao falar, transformar em palavras ditas, as palavras que saem de minha boca não são o que quero e o que penso. 

Queria tanto sentir meus pensamentos se desprender de minha vontade. Queria tanto não sentir a sensação de gozo e delírio a cada imagem deste sonho fictício. Queria ter algo de novo e diferente que não me fora ensinado, mas me levaria a dizer coisas ditas do coração.


Estranhamente está tudo ali e já não me parece ser tão difícil entender. Percebo o que se passa à minha volta, mais ainda meus medos me prenderam, e travou.


Sinto uma força viva que me envolve, mas não tenho vontade de agir. Vejo olhos me olhando, e meu coração ficsndo apertado. A sensação não é nova, pois também outros dias senti este olhar a me observar e nada disse. 


Algo está fluindo dentro de mim, se é bom ou ruim ainda não sei. Só sei que ainda não é tarde. Temos curra!


Se sentir que seja algo bom, fico com medo de sentir a felicidade, e não ser ela de fato verdadeira. A felicidade não é exatamente uma ideia em si, mas é um processo. Já que as ideias são um plano de ação de algo.

Quando sinto que algo é poderoso, sinto medo.

Pode trazer perigo e risco. 


Olho minha  imagem nos edorlhos multifacetados e não consegui identificar quem seja “eu”.

Quem reflete ali e tira meu eu verdadeiro do mundo imaterial da consciência?

Sou um ser tão comum como um igual aos outros seres  confinados dentro de algo inacabado.

A sensação é como se um buraco fundo dos dois mundos, o do mundo paralelo dos espíritos e o nosso daqui do planeta terra.

A sensação de estar dentro de um espelho e este espelho dentro de outro e assim sucessivamente para o infinito. Sinto ser sugada e cai-me. Não sei se estou caindo ou subindo, ou se as duas coisas ao mesmo tempo.

Estou com medo do desconhecido.

Não estou sabendo agir  do agir e do ser. Tento buscar por um motivo e um foco através de várias imagens do meu diverso e sucesso ser.

 


Memórias de Julieta Alves 










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