Trindade Goiás
15/10/2012 16:37
SENTIMENTOS SÃO PÁSSAROS EM VOO
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Está chegando o momento de buscar o concerto para o corpo e a alma.
Ainda hei de achar meu eixo!
Primeiro este, depois aquele, ou... o nosso sucesso de hoje colocamos no episódio de ontem... É tanta hipocrisia, tanta gente vazia, tanto assunto inútil, que ando com preguiça de revelar quem sou de verdade.
E o prêmio de maior decepção do ano vai para? Mim!
Por que ser assim tão cega.
Sabia que estava dentro de mim e não fora; e mesmo assim continuei a procurar onde já sabia não encontrar-me.
É loucura esta confusão: estou aqui comigo, mas não estou comigo.
Tenho que descobrir onde está o meu defeito; se estou tendo parafusos a mais ou de menos, se estou com os parafusos frouxos ou apertados.
Quando descobrir o meu defeito, vou consertar e andar nos trilhos novamente e romper a minha cegueira.
A fantasia agora menos tensa e a consciência não tão débil, abafaram este sentimento de perda, inutilidade, covardia... Assumindo erros, para ver se encontro a verdade e poder crescer espiritualmente.
Onde tinha parado de ver, por causa da cegueira, do engano, da mentira mesmo?
É onde exercia o fenômeno da desfocagem, camuflando meu verdadeiro eu.
Nesse momento seco minhas lágrimas vindo da alma, e levanto a cabeça, ficando com o corpo ereto. E olho dentro de meus sentimentos reais.
Corajosamente encaro meus defeitos, perdas e acertos. E começo a visualizar mentalmente minhas deficiências.
Só preciso me desfocar do que me deixa míope e enxergar além. Como estava acostumada a fazer grandes cenas, foi penoso abdicar da plateia, e egoisticamente não cedi aos apelos daquela voz interior que me intuía coisas boas.
E assim, continuo ficando, vendo-me levando partes de mim, que antes nem sentia falta.
Agora, todas aquelas máscaras estavam à beira do meu eu verdadeiro… Agora não me tornei nada!!! Pois a passagem, o orifício deixado através das encenações cotidianas, do ser real, está fechando.
Poucas vezes quis compreender os outros e poucas vezes eles compreenderam a mim.
Porém, quando nos encontramos na lama,das vaidades do ego, compreendi de imediato que não somos feitos para viver de aparências. Por este motivo nunca ficaremos de fato saciados no submundo das ilusões, estamos sendo amaldiçoados.
Acho!!! Acho não, tenho certeza, que meu maior defeito seja de me entregar à nostalgia, tendo pena de mim mesma, e nada fazer para sair desta auto estima negativa. E quando tentava reagir assumia personagens, abandonando à razão, incluindo a razão do meu eu, do meu mundo interior isolada do mundo exterior. Infelizmente foi um remendo, a arte de representar, que só adiou uma solução; não resolveu e nem me consertou, pois continuei a me fazer vítima das circunstâncias.
Tudo se fechou no pasmo, estou só nas agonias.
O tédio é paradoxo ao que pensamos.
As inocências de ontem morreram no adulto que me tornei.
Nada ficou fácil.
Não consigo nesse emaranhado de tantas representações me encontrar.
Quem sou eu de verdade?
Entre tantas pessoas nesse diverso sucessório, me perdi e não me acho.
Na escura confusão de meus sentimentos, vejo o reflexo brilhando na consciência de quem sou. Sou escrava da mentira, asilada aqui dentro de mim, vivendo a insegurança no palco do medo.
Uma história absurda acontece; não conhecer ou reconhecer os personagens que encarnei.
Aos poucos, no entanto, algo volta a acontecer...
Desfilando na mente meus pensamentos, volto a sonhar, idealizando o príncipe encantado. Visualizando, mentalmente, aquele homem bem resolvido fisicamente, mas aí acordo com a conclusão simples: prefiro que tenha um coração bem resolvido e não o corpo.
E... se o meu príncipe encantado chegar, onde vou estar? Ele pode me encontrar aqui presa dentro de mim? O dia que meu príncipe chegar, ele vai me encontrar bebendo, fumando e aos beijos com algum ogro!
Ninguém mandou demorar tanto.
E se assim for, é claro quer não assumir estar indo ao lugar errado, mesmo sabendo que ogros, dragões nunca vão ter um coração bem resolvido, por serem eles pessoas de mente e coração vazios de sentimentos.
Ou!!! Talvez como eu mesma, perdidos dentro de si,que se agrupam em reuniões sem sentido.
Estranhamente, a necessidade de autocriticar nasce junto com a de criar, como que apostando quem há de vencer.
A vontade de parar tudo é grande, por absurdo que possa parecer, há algo inexplicável a me
impedir e continuo a viver nas paralelas dos meus personagens.
Assim um diamante não se deixa ser lapidados pelas mãos de nossos seres alados, assim uma borboleta não sai do casulo… permanecendo como lagarto, rastejando, catando migalhas de…
A desfocagem que faço de mim, essa necessidade de plateia é absurdamente sem lógica.
Porque criei mesmo este espaço performático?
Obs: O espaço performático comparando com minhas alusões é:
Comparação entre instalação e cenografia, o conceito do espaço performático para criar uma base teórica do espaço teatral como lugar do acontecimento da cena.
É bem assim que estabelece-se a cenografia para apresentar minha vida como eu queria que fosse vista.
Tantas cenas, dramáticas, para ocultar meu verdadeiro ser. me tornei nada!!!
Pois a passagem, o orifício deixado através das encenações cotidianas, do ser real, está fechando de verdade.Tenho a sensação de que estas máscaras cotidianas estão adentrando minha pele. Não consigo mais me achar aí dentro de mim.
vitima das circunstancias
É uma tendência sentimental, que, por motivos inconsciente, age com soberana força … Além disso, eu também não enxerguei minha alma e, no entanto, este é um grande desafio para o ser humano atual e inconsequente.
Acho!!!
Ainda não sei onde me encontrar de verdade!
Justificando o que não tem justificativas!
Memórias de Julieta Alves

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